A
mobilização pelas mudanças
O Movimento por
um Código Ambiental Legal (MOVICAL)
é uma integração de várias organizações que buscam uma discussão
democrática do Projeto de Lei 0238/2008, que institui o Código Estadual
do Meio Ambiente. O MOVICAL começou nas audiências públicas,
promovidas em todo o Estado em novembro de 2008, quando, sob vaias,
diferentes grupos e entidades se manifestaram sobre diferentes conteúdos
do PL. Houve um grande clamor por parte de técnicos, pesquisadores
e ambientalistas, que se esta lei fosse aprovada, apesar do nome Código
Ambiental, aumentaria ainda mais o quadro de degradação e vulnerabilidade
socioambiental.
Poucos dias depois
da última audiência, Santa Catarina foi vítima de uma grande catástrofe
sócio-ambiental. Ainda assim, o plano da Assembléia Legislativa, que
fez o questionado Projeto de Lei tramitar em regime de urgência, era
votar o Código Ambiental em 18 de dezembro. Os setores e grupos interessados
na alteração de determinados pontos do projeto passaram a se articular
no sentido de prorrogar o prazo de votação do PL.
A discussão ganhou
novo fôlego no início de dezembro, quando as comissões parlamentares
decidiram ampliar o prazo para a apresentação de emendas até 27 de
fevereiro de 2009, e marcar a votação para 31 de março. Parte desta
vitória pode-se creditar à publicação de um artigo no Diário Catarinense
no dia 29 de novembro, subscrito por professores da UFSC, UNIVALI, FURB
e UNESC e representantes de organizações como a Associação Brasileira
de Recursos Hídricos, CREA/CONSEMA e do Núcleo de Estudos em Serviço
Social e Organização Popular – NESSOP, da UFSC. Neste artigo, os
signatários pediam a construção democrática do código ambiental.
A subscrição do artigo
foi reforçada por um abaixo-assinado virtual, que em apenas quatro
dias colheu mais de 2500 assinaturas, e que foi entregue aos parlamentares
com um ofício assinado pela presidente do Comitê do Itajaí, Maria
Izabel Sandri. Os três documentos constituíram-se num manifesto que
proporcionou novas discussões e levou à consolidação do MOVICAL.
Os opositores ao texto
do PL. 0238/08 sustentam, desde o início, que se o código catarinense
for aprovado do jeito que está vai erradicar anos de construção de
políticas públicas ambientais. Para eles, o projeto atende a interesses
de grupos econômicos e políticos e permitirá ainda mais a ocupação
de áreas vulneráveis (encostas, margens, nascentes, restingas, mangues,
contribuindo para aumentar riscos de desastres, além de confundir os
órgãos ambientais.
O abaixo-assinado continua
acessível na internet, fazendo um convite à mobilização social para
a construção democrática do Código Estadual do Meio Ambiente. Agora
o pleito é no sentido de que o código atenda os parâmetros legais
estipulados pela Constituição Federal de 1988: manutenção de um
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial
à sadia qualidade de vida.